O 5 S´s do isolamento social


Recentemente, recebi um convite para uma live com a querida Bethânia, do perfil @dicadepedagoga, no Instagram. Confesso que, apesar de extrovertida, microfones, gravações de vídeos e, principalmente, os "ao vivos", não são habilidades confortantes para mim. Mas, o mundo virou mesmo ao avesso... E é dentro desse avesso que estamos nos reinventando.

Então, preparei a minha coragem, como diz Mário Sérgio Cortella, e encarei esse desafio. O objetivo da Bethânia era o de compartilhar as percepções das educadoras pelas cinco regiões brasileiras. Eu representei o Centro-oeste, com muito orgulho e ALEGRIA! #nadasemalegria

Para melhor organização da minha fala, elaborei um breve roteiro, que compartilho por aqui também. Fragmentai a minha fala em partes, que chamei de 5 S´s do isolamento social.

S DE SUSTO!

Bom, o primeiro S foi o de SUSTO! Brasília foi uma das primeiras cidades brasileiras a decretar o isolamento social. Uma parte da população chamou o governador de louco... E a outra, de precavido. A princípio seriam apenas 5 dias. Depois, modificaram esse primeiro decreto e os 5 dias viraram dois meses, a princípio. A necessidade de distanciamento social foi aumentando e, com ela, aumentou também a estranha sensação de medo, de estar no meio de um daqueles filmes hollywoodianos que retratam o fim do mundo... Só quem sem o Tom Cruise e sem o Brad Pitt...

S DE SURTO!

Inevitavelmente, surge o segundo S, de SURTO!

Todo mundo surtou nesse momento. Como assim dois meses sem sair de casa? Dois meses sem ir à escola? Sem ver as crianças? Como assim atividade remota? Aula EAD? Aula virtual? Sala de bate-papo?

E continua... Eu não fui contratada pra isso? Não quero expor minha casa, minha vida? Não sou Youtuber! Foram dias tensos... Reuniões. Muitas! Foi realmente um grande surto coletivo! Momento de verdadeiro bombardeio. Com respostas que nem sabíamos dar.

Uma coisa que ficou muito clara para mim, nesse momento... o combinado de hoje, não será o combinado de amanhã. E está tudo bem! A frase "Um dia de cada vez" nunca fez tanto sentido como agora! As decisões tomadas ontem à noite, já não são as mesmas no dia seguinte. Em um cenário tão incerto, exercitar o mindset de crescimento tornou-se a melhor estratégia a seguir!

S DE SENTIMENTO!

Depois do SURTO, vem o S de SENTIMENTO. Na verdade, uma montanha-russa de sentimentos. Difícil até listar todos eles. Foram muitos. Cada dia um. Ou muitos num mesmo dia! Que loucura!! Vivemos vários EU´s nesse momento de pandemia. Tem dia que bate o EU FAXINEIRA, no outro o EU DEVORADORA DE LIVROS, MARATONISTA DA NETFLIX, CHEFF DE COZINHA, HIPOCONDRÍACA... EU YOUTUBER!


S DE SENTIDO!

E vem o 4º S... de SENTIDO! E nesse S eu preciso me deter um pouco mais, porque ele tem a ver com o tema que eu me comprometi na live... o de falar sobre o olhar respeitoso para as infâncias e suas subjetividades em tempos de isolamento social. Tem a ver com o que eu acredito também: tem que ter SENTIDO!

Depois do SUSTO, do SURTO e do MIX de SENTIMENTOS que passamos, foi preciso respirar bem fundo e definir, bem claramente, que estratégias seguir. Estratégias que fizessem sentido, para a gente e, principalmente, paras crianças.

Foi nessa hora que eu senti um pouco de pânico. Estavam colocando a Educação Infantil no mesmo bolo dos outros segmentos. Educação Infantil possui as suas especificidades. Educação Infantil acontece por meio das brincadeiras e das interações. Educação Infantil se faz nas relações.

E é nessa hora que a gente se sente desafiada a revisitar tudo o que a gente estudou, tudo o que lemos e relemos 300 vezes nas Diretrizes e na BNCC. Ontem mesmo eu estava em formação com o Paulo Fochi e ele falava um pouco disso. Da importância da escola não perder a sua identidade nesse momento de crise. Não dá para retroagir. Não dá para jogar para o alto tudo o que fizemos até aqui. Por isso que eu reitero a necessidade de não só ter SENTIDO, como também de ter um olhar respeitoso para as infâncias e suas especificidades agora mais do que nunca.

Optamos, então, por enviar vídeos com contações de histórias feitas pelas professoras. Enviamos também sugestões investigativas e brincantes para as crianças. O objetivo nunca foi o de “dar aulas”, mas sim o de nos reconectamos com elas. Marcelo Cunha Bueno, recentemente numa live, deu para isso o nome de AFETOS VIRTUAIS. Adorei! Fez SENTIDO!

S DE SAUDADE!

E vem o último S... de SAUDADE! Falar de saudade, num momento como esse, vem com um longo e demorado suspiro. Nos meus últimos 25 anos, nunca fiquei tanto tempo longe de uma escola. Estamos com saudade de tudo... das crianças, da escola, dos colegas professores, do cafezinho, da rotina... Para a gente que faz o que gosta, que faz com convicção, que faz por amor, está sento muito sofrido estar longe do convívio e da rotina com as crianças.

O S de SAUDADE vem acompanhado das reticências... E com um enorme desejo de que tudo isso que estamos vivendo hoje, seja breve. E assim, vamos nos agarrando na esperança de dias melhores...
Fiquem bem por aí!
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