PARTE BRUXA E PARTE FADA! E UM TANTÃO APAIXONADA!

Atualizado: Jan 22

Ao longo dos meus 25 anos na educação, precisei reinventar-me por diversas vezes. Nessa caminhada, já fui de tudo um pouco, além de professora. Fui encantadora de bebês. Fui a Xuxa, a boneca Emília e até o Tiririca. Cada vez que eu pude ser um personagem diferente, pude também acumular experiências distintas, pude me conectar com as crianças e pude olhar com os olhos delas. Ah... já tentou enxergar com os olhos delas? Tudo é mais lindo e colorido. Tudo faz sentido! Tudo é alegria... #nadasemalegria

Educação Infantil é encantamento! Só conseguimos encantar o outro quando estamos realmente envolvidos e encantados. Mario Sérgio Cortella diz que “a gente só encanta quando se encanta. Se eu não estiver encantado com o meu objeto de conhecimento, eu não posso encantar o outro."

E Rubem Alves fala um pouco sobre isso também. Ele diz que a missão do professor não é a de dar respostas prontas. Essas respostas já estão nos livros. Já estão na internet. “A missão do professor é provocar a inteligência. É provocar o espanto. É provocar a curiosidade.” É permitir que essa criança exerça o seu protagonismo. Que se sinta capaz e competente. Que consiga externar toda a sua criatividade.

E se toda criança criativa tivesse um adulto que acreditasse nela? Um adulto que a enxergasse com os olhos dela? Que fosse capaz de envolver-se verdadeiramente no processo de busca constante por respostas? Quase que milagrosamente, nesse movimento de aproximação, essa vontade intrínseca de fazer a diferença e de conectar-se profundamente a ela nos revela os nossos pequenos, os médios e os superpoderes!

Carla Rinaldi, educadora italiana e grande estudiosa da infância, diz que “...não há criatividade na criança se não há criatividade no adulto. A criança competente e criativa existe se existir um adulto competente e criativo.”

Olha o tamanho da nossa responsabilidade enquanto educadores e educadoras! Não dá para estimular a criatividade de uma criança se a nossa própria criatividade estiver morta dentro da gente. Se não houver sensibilidade, se não houver poesia, se não enxergarmos com os olhos dela, se não percebermos seu encanto e suas potências... Professora da Educação Infantil têm que ser meio assim: parte bruxa, parte fada! E um tantão apaixonada.

Não há receita de bolo e nem existe um passo a passo. Primeiro porque cada criança é única no mundo. Só vai dar certo se soubermos disso de fato. “A criança competente tem um adulto que a enxerga desse jeito.” Mais uma contribuição de Carla Rinaldi.

Essa criança competente precisa ser vista, respeitada e incentivada. Essa criança competente divide suas manhãs, suas tardes e até o dia inteiro conosco, os cinco dias da semana. Ela não divide apenas o seu tempo com a gente. Ela divide o que ela tem de mais precioso: suas ideias, seus desejos e seus sonhos. Essa criança competente e criativa requer o nosso olhar atento e cuidadoso. Requer respeito e validação. Requer o nosso brilho no olhar e o nosso encorajamento. Criatividade requer coragem!

Adoro quando o Pequeno Príncipe diz que “adultos não entendem nada sozinhos e é cansativo para as crianças ficarem o tempo todo explicando tudo.”

Quando eu falo do OLHAR, não me refiro apenas ao que sou capaz de ver. Não é o olhar com olhos. É um olhar que transcende. É um olhar somado às sensações, às emoções. É um olhar recheado de sensibilidade. É um olhar conectado. Interpretativo. Olhar meio de bruxa, meio de fada... lembra?

Sim! Sabemos que esse olhar é muito importante. Mas a criança precisa de mais coisas além de um olhar sensível. Ela precisa de um ambiente divertido, leve e estimulante. Ela precisa da sua capacidade e do seu desejo em revelar os superpoderes. E não precisa ser nada monumental. Acredite! Os olhos delas são capazes de enxergar a graciosidade e a coragem de todos os nossos gestos. Até o mais simples deles.

Ela só precisa ser ouvida, mas ouvida de verdade. Precisa ser questionada, desafiada. Precisa levantar hipóteses, fazer conjecturas... mesmo que pareçam bizarras para nós, os adultos. Desde cedo, deve perceber que os erros fazem parte do processo. Os erros dela e também os nossos! Ela precisa confrontar ideias. Jogar as dela. Ouvir a do outro. Perceber que nem tudo pode ser encaixado no certo e no errado.

Os nossos superpoderes são tão singelos quanto especiais. Estão dentro da gente e nos acompanham diariamente. Temos o beijo que cura, o olhar que abraça, a palavra que acalenta, o cafuné que aquece a alma, a voz que embala, o sorriso que tranquiliza e que diz que tudo vai ficar bem. Ao longo de nossa jornada, acumulamos os mais diversos poderes. E a soma deles forma quem somos! Distribuímos todos eles aos pequenos que nos cercam. E cada um, na sua individualidade, recebe um pouquinho do que precisa e nos retribuem também, como aquele nato poder de recarregar nossas baterias, por exemplo.


E se você pudesse fazer um compilado de poderes que carrega dentro da sua alma, quais seriam eles? Que poderes você carrega na sua varinha mágica?

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