PRIMEIRO DIA DE AULA! É HORA DA ESCOLA!

Atualizado: Jan 23



"A escola: um mundo inteiro cabe nela! Um mundo de culturas diversas, de vontades infinitas, de potentes desejos, de multiplicidades de pensamentos e opiniões, de relações intensas. Escola: o lugar do tudo-ao-mesmo-tempo-agora!"

Marcelo Cunha Bueno


- Primeiro dia de aula! Primeiro dia de aula! Vamos lá! Acorda! Primeiro dia de aula! Vamos embora!
- Ah... eu não quero ir pra escola! Mais cinco minutinhos, tá filho?
- Não é pra você, pai! É pra mim!

Não sei se todos conhecem o diálogo do Nemo com o seu pai, Marlin, que inicia o famoso filme Procurando Nemo. No momento, Nemo está todo animado com o tão esperado primeiro dia de aula. Ele tenta acordar seu pai, que está uma pilha de nervos só de imaginar o seu único filho longe de seus olhos e, naturalmente, da sua nadadeira e da sua proteção. Nemo, por sua vez, está contando os segundos para fazer novas amizades e vivenciar as aventuras que virão junto com a escola. Qualquer semelhança, hoje, é mera coincidência, não é mesmo?

Então, chegou a hora da escola! Levanta o dedinho quem passou as férias tentando convencer uma criancinha (e a si mesmo) de que a hora da escola está se aproximando e que será uma experiência incrível? Eu mesma levantei o dedo aqui! Meus filhos já passaram por isso faz tempo e eu, também, no meu papel de mãe. Hoje, Bruno tem quase 15 anos e Alice, 12. Mas, minha sobrinha de 3 aninhos, Malu, tentará ingressar novamente na escola. Compramos mochila nova, uniforme novo, vários enfeites para os cabelos e, até agora, tudo parece estar fluindo conforme o combinado. Segundo a Malu, por ela também está tudo certo e resolvido. Mas seus pais me olham meio receosos, com olhos de quem clama por um discurso pedagógico belíssimo, repleto de receitinhas infalíveis. Malu já fez esse mesmíssimo combinado o ano passado e não conseguiu cumpri-lo, por diversos fatores, inclusive pelo fato de ter um irmãozinho de menos de um mês de vida em casa. Ficou difícil demais para ela deixar a mamãe todinha só para o Fred.

A verdade mais verdadeira que posso compartilhar com meu irmão e minha cunhada, nesse momento, é que NÃO EXISTE RECEITA DE BOLO. Até mesmo porque cada criança é única no mundo, com reações e sentimentos diversos. Cada um de nós, pequenos, médios e grandes, carregamos a nossa própria história, possuímos contextos de vida diferentes, temos expectativas distintas e, certamente, reagiremos das mais variadas formas.

Como passaremos por isso, então, se não há receitas, Rosinha? Bom, nesses mais de 25 anos trabalhando em escolas, pude perceber que, apesar de não existir um manual para a adaptação escolar, existem dicas valiosas e simples que podem fazer toda a diferença nesse momento tão delicado e sensível para todos nós e que podem nos ajudar bastante.

Gostaria de compartilhar algumas dessas dicas com vocês, afinal, a partir de amanhã, “O primeiro dia de aula”, seremos grandes parceiros e precisaremos trabalhar em equipe para que tudo transcorra da melhor maneira possível.


Segurança da família na escolha da escola


Costumo dizer às famílias que cerca de 50% do sucesso da adaptação escolar está na segurança da família com a escola e com os profissionais que fazem parte dela. Não é à toa que muitos pais chegam a visitar umas dez instituições diferentes antes de baterem o martelo. É uma escolha dificílima, afinal, acabamos fazendo-a pelos pequenos, que não têm idade nem autonomia para fazê-lo ainda.

Essa escolha também é subjetiva, pois o que é imprescindível para mim em uma escola pode ser o 8º item da sua lista. Ou o 10º na lista da família vizinha. A verdade é que essa escolha precisa caminhar junto com suas crenças, deve se encaixar com os seus valores e com a proposta pedagógica com que mais simpatizam e, principalmente, com a sensação de segurança e de bem-estar que o espaço é capaz de lhes proporcionar.

Arrisco-me a dizer que essas sensações estão muitas vezes nos olhares acolhedores de nossos profissionais, desde os porteiros, que distribuem os seus sorridentes “bom-dia” e “boa-tarde”, às professoras que regam as crianças de abraços.


A adaptação é um processo


Adaptação escolar acontece gradativamente e possui tempos diferentes para cada sujeito. Algumas crianças possuem maior facilidade, parecem tirar de letra esse mais novo desafio. Umas já são rodeadas de irmãos e de primos, possuem o costume de conhecer lugares e pessoas novas sempre que possível. Outras são filhas únicas e grudadinhas em seus pais, mas demonstram facilidade assim mesmo. Tem um pouco a ver com a rotina, mas também com a personalidade de cada um e, como falei anteriormente, com a segurança transmitida pelos adultos.

Todo ano recebo, em minha sala, pais e mães pegos de surpresa. Uns dizem “Nossa, achei que meu filho ia morrer de chorar! Mas ele nem me deu tchau!” Outros dizem “Achei que ela nem ia ligar, mas está chorando adoidado!” Viu? Não tem receita! E é assim mesmo...

E já vou logo contando que, além dos que choram e dos que não choram no primeiro dia de aula, têm aqueles que deixam para chorar meses depois... Uns 3 meses depois. Os pais desses também dão uma passadinha na minha sala e dizem “Não é possível, Rosinha! Alguma coisa aconteceu! Ele já estava adaptado!” Mas acontece que, após alguns meses, a novidade se transforma em rotina e os sabores também se modificam no meio do caminho. Saibam que também é natural sentirem só depois.


Sobre o choro


Já que falei sobre o chorar e o não chorar, vamos ao tema do choro!

O choro, na hora da separação, é frequente e também esperado e nem sempre significa que a criança não queira ficar na escola. Muitas vezes é a maneira que a criança tem de externar seus medos ou seus receios. Em outros momentos, ela pode estar apenas assustada com o choro do colega ao lado.

Há diversos tipos de choro: os demorados, os soluçantes, os estridentes, os miados, os parcelados, os silenciosos... Conhecemos todas as modalidades deles e, acreditem: OS CHOROS NÃO NOS ASSUSTAM! Tampouco nos irritam. Somos profissionais aptos a lidar com as crianças e com todas as suas necessidades e especificidades! Compreendemos que a adaptação escolar requer uma força tarefa de toda a equipe e nos preparamos para que esse momento aconteça todos os anos; faz parte da nossa rotina e é o início da formação dos vínculos entre as crianças e seus professores.

A ausência do choro também requer a nossa atenção, pois não significa que a criança não esteja sentindo a separação, por isso é tão importante estarmos atentos aos pequenos sinais.


Outras dicas valiosas


* Evite chorar na frente da criança. Muitas vezes, o nó da garganta ficar tão apertado que as lágrimas insistem em sair. Mas uma situação como essa é muito confusa para os pequenos, pois ela demonstra o contrário do que está sendo dito. Se a família diz estar segura com a escolha da escola, deve sustentar essa escolha e demonstrar segurança para os pequenos;

* Procure entregar a criança para a professora. Se ela estiver acolhendo outra criança, aguarde um instante. Coloque-a no chão e incentive-a a entrar sozinha e a segurar os seus pertences, como a mochila, por exemplo. Não é recomendável deixar o educador com o encargo de retirar a criança do colo da mãe;

* Nunca saia escondido de seu(ua) filho(a). Despeça-se naturalmente. Sejam sinceros e transparentes.

* Quando a criança chorar, expliquem que voltarão para buscá-la, demonstrando tranquilidade e segurança;

* Incentive a criança a procurar a ajuda da professora quando necessitar de algo para que crie laço afetivo com ela;

* Lembrem-se de que o educador atende às crianças em grupo e precisa distribuir a atenção igualmente;

* Procurem manter a rotina da criança em casa e a evitar mudanças bruscas, como retirada da chupeta ou o desfralde;

* Evitem fazer comentários sobre a adaptação da criança em sua presença;

* Respeitem os horários de entrada e de saída estipulados pela escola;

* Em caso de dúvida ou de insegurança, nos procurem. Lembrem-se de que somos parceiros e precisamos trabalhar em equipe.

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